O fermento dos fariseus

Ajuntando-se entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.


Lucas 12:1


O fermento na bíblia significa o pecado. Neste caso o pecado dos fariseus era uma religião baseada unicamente na aparência, ou seja, praticavam boas obras para serem vistos pelos homens com a finalidade de serem honrados e se sentirem superiores aos outros, mas não demonstravam compaixão, contrição, arrependimento ou misericórdia.


Jesus alerta os seus discípulos acerca do perigo da hipocrisia, já que a religiosidade pode levar as pessoas a terem um comportamento hipócrita, de tal forma que deem um valor exagerado a aparência religiosa, mas não se compadeçam da alma humana e das dificuldades próprias da nossa existência nesse mundo.


É evidente que a transformação do ser humano, após a conversão, se exterioriza através de uma vida condizente com o caráter cristão, já que precisamos produzir frutos dignos de arrependimento. Porém, o exterior não pode ser mais valorizado que o interior. Não podemos nos gabar de viver uma vida religiosa baseada nas vestimentas, contribuições e rituais.


Os fariseus baseavam a sua vida religiosa nas vestimentas com largos filactérios, saudações nas praças a fim de serem vistos, primeiros lugares nas ceias e nas cadeiras das sinagogas, serem chamados de Rabi pelos homens, auto exaltação, ênfase nas contribuições financeiras, e fardos pesados e difíceis de suportar que colocavam sobre ombros dos fiéis, mas eles mesmos não queriam carregar. (Mt. 23:1-39).


Em virtude da religiosidade exacerbada foram duramente repreendidos por Jesus Cristo e alcunhados de serpentes e raças de víboras, advertidos sobre a condenação do inferno que é certa para quem é apenas um hipócrita religioso.


Precisamos buscar em Deus orientação segura para sabermos qual é a postura que lhe agrada, a fim de vivermos humildemente aceitando as falhas dos nossos irmãos, ajudando-os na caminhada cristã, cujo o caminho é estreito mas a recompensa não tarda. Não devemos colocar sobre os ombros dos irmãos em Cristo fardos pesados demais, com exigências descabidas que não possuem nenhuma base bíblica.


Precisamos, por outro lado, mostrar um coração compassivo, perdoador e compreensivo acerca das mazelas humanas, e sempre apontar para Cristo que nos perdoou os pecados, mesmo não sendo merecedores de tal graça. Se Deus nos perdoou em Cristo, apesar de tantos erros que cometemos, e continuamos a cometer, no processo de santificação, por que devemos apontar os erros dos nossos irmãos de maneira tão humilhante e constrangedora, em algumas ocasiões?


Com isso, não quero afirmar que devemos praticar um liberalismo cristão ou na hipergraça que preconiza uma vida sem limites após a conversão, pois tal extremo é tão equivocado quanto o legalismo religioso. Devemos, sim, pautar nossa conduta em uma vida cristã equilibrada, abandonando o extremo da hipergraça e do legalismo religioso, para desfrutar de uma vida abundante que a nossa liberdade em Cristo nos garante.


Oremos para que Deus nos afaste do fermento dos fariseus, ou seja, de viver em um rigorismo exacerbado da religião que configura um legalismo religioso, bem como da hipergraça que prega um liberalismo sem base bíblica. Clamemos por uma vida equilibra de compromisso com a palavra de Deus, mas com compaixão pelas almas que vão se perdendo e um coração perdoador e misericordioso.


Que Deus em Cristo nos abençoe,


Ev. Sylmar Ribeiro Brito


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