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A ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO

Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda;


Mateus 24:15



Nesse artigo vamos tentar entender o que seria a abominação da desolação de que falou o profeta Daniel e deixar fixado um ponto de reflexão ao final do texto.


O profeta Daniel estabelece que a abominação da desolação ocorrerá na metade da última semana, vejamos:


E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.


Daniel 9:27


Portanto, já sabemos quando ocorrerá a abominação da desolação: na metade da última semana que está destinada ao povo judeu e à cidade de Jerusalém. Assim compreendemos que aparecerá no cenário mundial um personagem que firmará um concerto (acordo/aliança) com muitos por uma semana (ou sete anos) e na metade da semana, ou seja após decorrido o prazo de três anos e meio,esse personagem fará cessar o sacrifício e a oblação e estabelecerá a abominação desoladora.


No livro do profeta Daniel também está escrito no capítulo 11, versículo 31:


E braços serão colocados sobre ele, que profanarão o santuário e a fortaleza, e tirarão o sacrifício contínuo, estabelecendo abominação desoladora.


Daniel 11:31


O sacrifício contínuo foi estabelecido pelo próprio Deus, conforme podemos verificar no livro de Êxodo 29:38-42:


Isto, pois, é o que oferecereis sobre o altar: dois cordeiros de um ano, cada dia, continuamente.

Um cordeiro oferecerás pela manhã, e o outro cordeiro oferecerás à tarde.

Com um cordeiro a décima parte de flor de farinha, misturada com a quarta parte de um him de azeite batido, e para libação a quarta parte de um him de vinho,

E o outro cordeiro oferecerás à tarde, e com ele farás como com a oferta da manhã, e conforme à sua libação, por cheiro suave; oferta queimada é ao Senhor.

Este será o holocausto contínuo por vossas gerações, à porta da tenda da congregação, perante o Senhor, onde vos encontrarei, para falar contigo ali.


Êxodo 29:38-42


Atualmente o sacrifício contínuo estabelecido no velho testamento não está sendo oferecido, porque o templo judaico foi destruído no ano 70 D.C. Observemos que, juntamente com a retirada do sacrifício contínuo haverá a profanação do santuário e da fortaleza, conforme estabelecido por Jesus em Mateus 24:15, com referência ao profeta Daniel.


A versão King James Atualizada do texto de Daniel 11:31 é bastante esclarecedora:


Seu poderio militar se levantará ferozmente a fim de profanar a fortaleza e o Templo, acabará com o culto do holocausto diário e instalará no Templo a abominação, o sacrilégio terrível.


Segundo os textos bíblicos acima transcritos, haverá um personagem que fará cessar o sacrifício contínuo e profanará o Templo e a fortaleza. O questionamento que podemos fazer neste momento é que o sacrifício diário não está sendo oferecido e o templo ainda não foi reconstruído, portanto, como poderia essa profecia ser cumprida? E mais, em Daniel 12:11, existe uma contagem de tempo fundamentada na retirada do sacrifício contínuo e a colocação da abominação desoladora:


E desde o tempo em que o sacrifício contínuo for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias.


Daniel 12:11



A grande maioria dos teólogos interpreta essas passagens vinculando-as ao período de reconstrução do templo de Jerusalém. É bem certo que nesse exato momento existem possibilidades concretas para a reconstrução do templo. Os objetos que guarnecem o templo já estão sendo fabricados, assim como os instrumentos musicais, os levitas estão sendo escolhidos e treinados, estão à procura da novinha vermelha para dedicar o templo, etc. Muitas providências estão sendo tomadas para possibilitar a reconstrução do templo de Jerusalém.


Todavia exsurge uma dúvida: qual é o significado do templo judaico para Deus hoje em dia após a morte e ressurreição de Cristo? Por isso, outra linha de entendimento estabelece que o sacrifício contínuo diz respeito ao louvor e adoração prestada pela igreja a Cristo, mas como poderia esse personagem profanar o templo nessa linha de interpretação se hoje em dia nós somos o templo do Espírito Santo? Será que é possível reproduzir o santo dos santos no templo reconstruído com a real presença de Deus? São dúvidas legítimas.


Na verdade, o texto de Daniel 9 estabelece que setenta semanas estão determinadas para o povo do profeta Daniel e para a cidade santa de Jerusalém, por esse prisma, poderíamos entender que a reconstrução do templo seria necessária para o restabelecimento do sacrifício contínuo até que fosse interrompido, bem como para propiciar a sua profanação.


A profanação templo se deu em determinada oportunidade por Antíoco Epifânio que sacrificou uma porca no altar e determinou que o templo dos judeus fosse dedicado a Zeus. O texto da segunda carta de Paulo aos tessalonicenses joga um pouco de luz sobre o significado da profanação do templo futura, vejamos:


Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição,

O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.


2 Tessalonicenses 2:3,4


Ou seja, a abominação da desolação se dará através do assentar do homem do pecado no templo de Deus, querendo parecer Deus. É interessante notar que na ocasião em que a segunda carta aos tessalonicenses foi escrita, o templo ainda não havia sido destruído. Mas, estamos diante de uma carta de Paulo não aos judeus, mas à igreja gentílica. Então a referência da igreja gentílica continuava sendo o templo de Jerusalém? Por óbvio, entendemos que a palavra templo nesse contexto, muito provavelmente refere-se ao templo de Jerusalém. O apóstolo Paulo vai além, ele não diz apenas templo, ele diz o templo de Deus... é bem possível que a interpretação mais correta diga respeito à profanação do templo de Jerusalém pelo personagem que o apóstolo Paulo chama de homem do pecado e filho da perdição.


No livro de Apocalipse, o apóstolo João repete a expressão utilizada pelo apóstolo Paulo, "o templo de Deus":


E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram.


Apocalipse 11:1


É bem interessante notarmos a conexão existente entre o texto do livro do Apocalipse 11:2-3 com Daniel 12:11:


E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses.

E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco.


Apocalipse 11:2,3


E desde o tempo em que o sacrifício contínuo for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias.


Daniel 12:11


Quer nos parecer ainda que a narrativa contida em Apocalipse, capítulo 13 diz respeito à operacionalização da abominação da desolação no tempo futuro, vejamos:


E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.

E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio.

E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta.

E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?

E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses.

E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu.

E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação.

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.


Apocalipse 13:1-8


Notemos ainda que uma imagem da besta ganhará vida e será adorada, e provavelmente será colocada no templo de Deus, concretizando a profanação.


E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.


Apocalipse 13:15


Portanto, conseguimos compreender que a abominação da desolação ocorrerá na metade da semana (sete anos), bem como se dará com o homem do pecado, filho da perdição, assentando-se no templo de Deus, querendo parecer Deus e proferindo blasfêmias contra Deus, contra o tabernáculo e os que habitam no céu, bem como com adoração à imagem da besta sob ameaça de morte. O ponto de reflexão que deixamos para o leitor é: o sacrifício contínuo de fato são os holocaustos diários do povo judeu? O templo de Deus é de fato o templo a ser reconstruído em Jerusalém? Tudo indica que sim, mas somos levados a meditar sobre esses pontos, pois com a morte e ressurreição de Cristo, o sumo sacerdote ofereceu o sacrifício perfeito em resgate de todo aquele que crê no seu nome.


Que Deus em Cristo nos abençoe,

Ev. Sylmar Ribeiro Brito


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